27 de set de 2016

Luta pelo Medicamento



Celebrou-se em setembro o dia nacional da luta pelo medicamento, uma realidade para parte da população brasileira. O medicamento é uma tecnologia de saúde essencial, e pode ser obtido, por exemplo, diretamente em farmácias comerciais (com ou sem subsídio de programas oficiais), em farmácias hospitalares durante internação clínica, e em farmácias do serviço público de saúde (SUS).

O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica é uma das estratégias de acesso a medicamentos no âmbito do SUS, e é caracterizado pela busca da garantia da integralidade do tratamento medicamentoso, em nível ambulatorial, cujas linhas de cuidado estão definidas em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas publicados pelo Ministério da Saúde­1. Estes medicamentos, antigamente categorizados como “de alto custo”, visam garantir o acesso ao tratamento medicamentoso de doenças raras, de baixa prevalência ou de uso crônico prolongado com alto custo unitário2. Envolvendo Ministério da Saúde, Secretaria Estadual da Saúde e Secretaria Municipal da Saúde, cada uma com as suas competências, o programa é regido por legislação específica que pode ser visualizado aqui .

No Rio Grande do Sul, para o paciente ter acesso ao medicamento do Componente Especializado, é necessário que vá até a Secretaria Municipal de Saúde do seu município para solicitar administrativamente que seja aberto um Processo Administrativo, e entregue, pelo menos, dois documentos: o "LME (Laudo para Solicitação de Medicamento Especializado, que é emitido pelo médico) e o Formulário "Cadastro de Usuários"(SAUDE-RS), que estão disponíveis, junto com mais informações no site da Secretaria Estadual da Saúde.                                                                                                                                                   
            Existem também iniciativas do Governo Federal que visam ampliar o acesso aos medicamentos e contribuir à Política Nacional de Assistência Farmacêutica, como o Programa Farmácia Popular, que possui medicamentos a custos reduzidos ou isentos para a população. Possui duas modalidades, a rede própria e os convênios “Aqui tem Farmácia Popular”. O Programa Farmácia Popular atende pacientes que tenham receitas de origem SUS, convênios ou particular. A condição para a aquisição dos medicamentos disponíveis nas unidades, neste caso, é a apresentação de documento com foto, no qual conste seu CPF, juntamente com uma receita médica (rede própria e Aqui tem Farmácia Popular) ou odontológica (somente rede própria)3. Consulte a farmácia mais próxima para esclarecimentos3.

            Na rede própria, o programa conta com 112 itens, entre medicamentos e preservativo masculino, os quais são dispensados a um valor reduzido de até 90% do valor de mercado3.

            O programa Aqui Tem Farmácia Popular é um convênio entre as farmácias da iniciativa privada e o sistema público de saúde visando disponibilizar medicamentos essenciais de baixo custo a mais lugares e pessoas, mesmo as que não buscam a assistência do SUS. Neste programa, são atualmente disponibilizados medicamentos para tratamento de hipertensão, diabetes, dislipidemia, osteoporose, rinite, Parkinson, asma e glaucoma além de contraceptivos, fraldas geriátricas e fosfato de oseltamivir, utilizado no tratamento da Gripe A (H1N1)3.

            Em 2011, foi iniciada no Programa Farmácia Popular a campanha Saúde Não Tem Preço3 para oferecer ao paciente medicamentos gratuitos para o tratamento de hipertensão e diabetes; em 2016, três medicamentos para tratamento da asma foram incluídos à campanha3

            Existem também ações do Governo Federal e das Agências de Saúde que visam um melhor acesso a medicamentos para pacientes que utilizam planos de saúde. Em 2015, por exemplo, foi publicada a Resolução Normativa n° 387 que atualizou o rol de procedimentos e eventos em saúde com cobertura assistencial mínima nos planos privados de assistência à saúde. A partir de então, os planos disponibilizam medicamentos antineoplásicos orais para uso domiciliar, assim como medicamentos para o controle de efeitos adversos e adjuvantes de uso domiciliar relacionados ao tratamento antineoplásico oral e/ou venoso4. Essa é uma medida importante, pois propicia maior conforto e comodidade para o paciente e reduz os casos de internação para tratamento em clínicas ou hospitais5.


            Existem, portanto, diversas alternativas para o paciente ter maior acesso a medicamentos, a um custo menor e com maior racionalidade, tanto no âmbito público quanto no privado. A divulgação dessas  informações evidencia a função social do CIM-RS para contribuição ao uso racional do medicamentos, fornecendo informação de qualidade à população e aos profissionais de saúde. 

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Tatiane da Silva Dal Pizzol e Alexandre A. de T. Sartori

1.     BRASIL MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria n° 1554 de julho de 2013. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt1554_30_07_2013.html Acessado em 26/09/2016
2.     RIO GANDE DO SUL. SECRETARIA ESTADUAL DA SAÚDE. Componente Especializado. Disponível em: http://www.saude.rs.gov.br/lista/153/Componente_Especializado Acessado em: 26/09/2016
4.     BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Resolução Normativa n° 387 de 29 de outubro de 2015. Disponível em: http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&format=raw&id=MzExMA== Acessado em: 26/09/2016
5.     BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. ANS amplia tratamento para pacientes com câncer. Disponível em: http://www.ans.gov.br/a-ans/sala-de-noticias-ans/consumidor/2467-ans-amplia-tratamento-para-pacientes-com-cancer- Acessado em: 26/09/2016

16 de set de 2016

Os Benefícios do Vinho






O vinho é fundamental na vida de muitos brasileiros, principalmente nas regiões que tiveram colonização italiana, sendo que a bebida faz parte da culturalocal. Muito antes disso, egípcios, gregos e romanos utilizavam essa bebida em sua dieta, inclusive já com uma certa ideia de que o seu consumo poderia trazer benefícios a saúde. Os gregos, há cerca de 3.000 anos, representam a primeira civilização conhecida a realizar o uso terapêutico de vinho, visto que em sua cultura se acreditava ser um presente dos deuses1.
Recentemente os potenciais benefícios terapêuticos do vinho vem ganhando força, sendo tratado amplamente pela imprensa. É dito que o vinho traz diversos benefícios como atividade anti-inflamatória, neuroproteção em muitas doenças neurodegenerativas e até mesmo redução no risco de desenvolvimento de doenças coronarianas e câncer2. O principal agente dito responsável por tais efeitos é um polifenol presente na bebida: o resveratrol.

Mas o quão esse efeito é realmente considerável?

Em uma metanálise de ensaios clínicos randomizados, Liu e colaboradorestestaram os feitos do resveratrol na diminuição da pressão sanguínea. Pacientes que receberam resveratrolisolado por no mínimo 2 semanas foram comparados com grupo controle onde a diferença tenha sido apenas a ingestão de resveratrol.Os resultados apontaram que oresveratrol não diminuiu a pressão sanguínea sistólica ou diastólica, mesmo considerando a interferência do IMC, dose de resveratrol e duração de estudo3.
Emuma meta-análise de estudos de coorte, Huxley & Neil (2003) verificaram que o consumo elevado de flavonol na dieta, outro elemento importante presente não apenas no vinho, mas também em alguns tipos de chás, frutas e vegetais, resultou em um menor risco de doenças coronarianas. O chá verdee preto foramas principais fontes de flavonol no grupo de maior consumo diário da substância; frutas e vegetais, como uvas, amendoins, morangos, brócolis e cebola, nos grupos de menor consumo.O estudo, entretanto, admite diversas limitações como a interferência de outros fatores nos resultados (classe social, atividade física, tabagismo), o auto-relato que pode ter alterado as relações propostas, e outros elementos da dieta (gordura, colesterol, calorias totais) que podem explicar a diminuição de 20% no risco de desenvolvimento de doenças coronarianas4.
Em outra revisão,Woo & Kim (2013)não encontraram qualquer relação entre o consumo de flavonóides e redução no risco de câncer gástrico ou coloretal, embora sugira uma fraca associação inversa quando analisadas subclasses de flavonóis separadamente5. Cabe destacar que o álcool está presente normalmente em concentrações de 10 a 14 % em vinhos de mesa2, sendo considerado um dos principais vilões no desenvolvimento de câncer gástrico. Em outro estudo, foi verificado que a ingestão de cerveja e licores contribuiu positivamente para o desenvolvimento de câncer gástrico, mas vinho não6.
Diante desses achados, questiona-se a grande propaganda que se faz para o uso de suplementação de resveratrol para prolongamento da expectativa de vida, redução de risco de doença coronariana e câncer. Ainda assim, o flavonol parece ser um potencial alvo para novas pesquisas que visam investigar não apenas os potenciais benefícios do vinho, mas também de outras bebidas como os chás verde e preto, e frutas e vegetais, mencionadas anteriormente.

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Professora Tatiane da Silva Dal Pizzol

1.     Estreicher, S.K. Wine from neolithic times to the 21st century. Algora. New York. Algora Publishing. 2006. Disponível em: https://vinumvine.files.wordpress.com/2012/02/stefan-k-estreicher-wine-from-neolithic-times-to-the-21st-century.pdf
2.     Dermarderosian A.;Beutler, J. A. (Ed) The Review of Natural Products: the most complete source of natural product information. 7. ed. St. Louis: Facts and Comparisons, 2012.
3.     Liu Y, Ma W, Zhang P, He S, Huang D. Effect of resveratrol on blood pressure: a meta-analysis of randomized controlled trials. ClinNutr. 2015 Feb;34(1):27-34. doi: 10.1016/j.clnu.2014.03.009. Epub 2014 Mar 31
4.     Huxley RR, Neil HA. The relation between dietary flavonol intake and coronary heart disease mortality: a meta-analysis of prospective cohort studies. Eur J Clin Nutr. 2003 Aug;57(8):904-8.
5.     Hae Dong Woo and Jeongseon Kim. Dietary flavonoid intake and risk of stomach and colorectal cancer. World J Gastroenterol. 2013 Feb 21; 19(7): 1011–1019.
6.     Fang X, Wei J, He X, An P, Wang H, Jiang L, Shao D, Liang H, Li Y, Wang F, Min J. Landscape of dietary factors associated with risk of gastric cancer: A systematic review and dose-response meta-analysis of prospective cohort studies. Eur J Cancer. 2015 Dec;51(18):2820-32. doi: 10.1016/j.ejca.2015.09.010. Epub 2015 Nov 14

13 de set de 2016

Informativo

O CIM-RS estará fechado amanhã pois o grupo estará participando do Salão de Extensão UFRGS no período da manhã.

Quinta-feira retomaremos nossas atividades normalmente.

9 de set de 2016

Setembro Amarelo




Doenças Mentais vêm acometendo cada vez mais pessoas provenientes de lugares e classes sociais diversas. Em algumas circunstâncias, podem levar a medidas extremas como o suicídio. Para aumentar a visibilidade para este problema e discuti-lo, foi criado o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio (10 de setembro) e instituído o Setembro Amarelo. De acordo com pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 800.000 mortes por suicídio ocorrem a cada ano em todo mundo, predominantemente em pessoas jovens, apontando mudança de perfil no grupo de afetados1. No Brasil, a taxa de suicídios é de 4,1 por 100 mil habitantes, variando com a região do país. No Sul, temos a taxa de suicídios mais alta: 25,2 por 100 mil habitantes, ou seja, mais de seis vezes a taxa nacional2.

            Pesquisa divulgada recentemente por pesquisadoras de Londrina, PR visando analisar as tentativas de suicídio por sobredose intencional de medicamentos corrobora com os resultados da pesquisa da OMS, mostrando a mudança de perfil dentre as pessoas atentando o suicídio.  O estudo mostra que mais de 40% das hospitalizações por tentativa de suicídio são decorrentes da auto-intoxicação consciente de medicamentos, em sua maioria antidepressivos, tranquilizantes e anticonvulsivantes. Isso mostra que o problema maior não é um erro não-intencional durante a auto-medicação, mas sim o uso e prescrição indiscriminados destes medicamentos2. Para acessar os resultados deste estudo, clique aqui.

            Em 2006 foi publicada pelo Ministério da Saúde a Portaria 1.876 que Institui Diretrizes Nacionais para Prevenção do Suicídio, que devem ser seguidas pelos diversos níveis de administração pública e outras instituições da sociedade com o objetivo de desenvolver e fortalecer as medidas de prevenção e de assistência ao suicídio. Propõe um conjunto de ações no âmbito dos diversos dispositivos e das equipes de saúde mental, com a finalidade de mantê-las articuladas com a Política Nacional de Saúde Mental3,4.
           
Cabe ao profissional de saúde estar atento a comportamentos que possam sinalizar uma conduta potencialmente suicida. A melhor maneira de descobrir é perguntar para a pessoa.  Ao contrário da crença popular, falar a respeito de suicídio não introduz a idéia nas pessoas, podendo até tranquilizá-la por poder falar sobre o assunto5. O Ministério da Saúde organizou uma cartilha visando instruir profissionais da saúde sobre o tema e como abordar os pacientes. Para acessar, clique aqui.

Em Porto Alegre, RS, o Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do Comportamento e a Liga de Medicina Legal e Psiquiatria Forense da Faculdade de Medicina da UFRGS organizam atividades para a campanha do Setembro Amarelo6.

Se você precisa de ajuda ou conhece alguém que possa precisar, acesse: http://www.cvv.org.br/ ou ligue 141.

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Tatiane da Silva Dal Pizzol

1.     World Health Organization. Suicide. http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/suicideprevent/en/ (acessado em 14/Fev/2008). 
2.     Bernardes, SS, Turini, CA, Matsuo, T. Perfil das tentativas de suicídio por sobredose intencional de medicamentos atendidas por um Centro de Controle de Intoxicações do Paraná, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 26(7):1366-1372, jul, 2010).
3.     REBRAS. Rede Brasileira de Prevenção ao Suicídio. Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio: suas diretrizes. Disponível em: http://www.rebraps.com.br/2014/09/estrategia-nacional-de-prevencao-do.html Acessado em: 22/08/2016
4.     BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria n° 1876 de 14 de agosto de 2006. DIsponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt1876_14_08_2006.html Acessado em: 22/08/2016)
5.     BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Prevenção do Suicídio: Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental. Disponível em: http://www.cvv.org.br/downloads/manual_prevencao_suicidio_profissionais_saude.pdf

6.     UFRGS. Psiquiatria organiza atividades no mês de prevenção ao suicídio. Disponível em: http://www.ufrgs.br/ufrgs/noticias/psiquiatria-organiza-atividades-no-mes-de-prevencao-ao-suicidio Acessado em: 02/09/2016

2 de set de 2016

26 de ago de 2016

Losartana: por que tão usada?



A losartana é um antagonista seletivo e competitivo do receptor de angiotensina II usado para tratamento de hipertensão arterial sistêmica, sendo um dos anti-hipertensivos mais utilizados no Brasil. Nós, do CIM-RS, nos perguntamos se existem evidências claras que justificam essa grande utilização de losartana.

Consultando as Diretrizes Americanas para Manejo da Hipertensão Arterial1 , referência no assunto, os bloqueadores de receptores de Angiotensina como tratamento inicial são recomendados em duas situações:

1.    Na população não-negra em geral, incluindo aqueles com diabetes. Neste grupo, é preconizado tratamento anti-hipertensivo inicial com um diurético tiazídico, bloqueador de canais de cálcio, Inibidor da Enzima Conversora da Angiotensina, ou Antagonistas de Receptor de Angiotensina.
2.    Na população com 18 anos ou mais com Doença Renal Crônica e hipertensão. Nestes casos, o tratamento anti-hipertensivo inicial ou em associação deve incluir um Inibidor da Enzima Conversora da Angiotensina ou Antagonista de Receptor de Angiotensina para melhorar os resultados nos rins. Esta recomendação aplica-se a todos os pacientes com Doença Renal Crônica com hipertensão, independentemente da raça ou presença de diabetes.

Para o primeiro grupo, a diretriz aponta que as quatro classes de medicamentos são comparáveis em relação a mortalidade e desfechos cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Enquanto no segundo, os fármacos foram sugeridos avaliando-se os desfechos em relação aos efeitos no sistema renal e não foi verificada diferença significativa entre Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina ou Antagonista de Receptor de Angiotensina.

No Brasil, até 2012 estavam registrados 5 medicametos da classe: candesartana, irbesartana, losartana, olmesartana e telmisartana2, sendo que apenas a losartana está presente na RENAME 20143. Uma metanálise4 analisando os efeitos de losartana comparando-a com outros medicamentos de mesma classe terapêutica, concluiu que losartana não apresenta eficácia anti-hipertensiva superior em sua dose inicial ou máxima em 24 horas. Quando comparado Antagonistas de Receptores de Angiotensina a outras classes farmacêuticas usadas para o tratamento de hipertensão foi visto que:

1.    Antagonistas de Receptores de Angiotensina se mostram tão efetivos quanto Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina na redução de proteinúria e melhora na pressão sanguínea.5
2.    Diuréticos Tiazídicos se mostraram tão efetivos quanto Antagonistas de Receptores de Angiotensina no controle de hipertensão em casos de Doença Renal Crônica; entretanto os Diuréticos parecem ser mais efetivos em termos de redução de proteinúria, de acordo com recente estudo clínico randomizado. 6

Estudo realizado na USP para avaliar a relação custo-efetividade de combinações farmacológicas, foi visto que o tratamento tradicional para hipertensão, consistindo de hidroclorotiazida e atenolol, são mais custo-efetivos que o tratamento com losartana e amlodipina para pacientes de nível 1 e 2 de hipertensão7. Corroborando com outro estudo mais antigo, de 2002, concluiu que diuréticos e beta-bloqueadores são mais custo-efetivos que outras classes de antihipertensivos8.

Diante desses achados, recomenda-se cautela na utilização de Antagonistas de Receptores de Angiotensina e observância às recomendações da Diretriz Americana para Manejo da Hipertensão Arterial.

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Farm. Tatiane da Silva  Dal Pizzol

1.    Eighth Joint National Committee. 2014 Evidence-Based Guideline for the Management of High Blood Pressure in Adults. JAMA. 2014;311(5):507-520. doi:10.1001/jama.2013.284427
2.    Ramos, DC, Casali, ACG. Antagonistas dos receptores da angiotensina II: uma revisão de classe. Revista Saúde e Desenvolvimento. ano 1 n.2  jul- dez 2012
3.    BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: Rename / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. 7.ed. rev. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2014.
4.    Makani H., Bangalore S., Supariwala A., Romero J., Argulian E., and Messerli F.H. Antihypertensive efficacy of angiotensin receptor blockers as monotherapy as evaluated by ambulatory blood pressure monitoring: a meta-analysis. European Heart Journal (2014) 35, 1732–1742.
5.    Xu R, Sun S, Huo Y, Yun L, Huang S, Li G, Yan S. Effects of ACEIs Versus ARBs on Proteinuria or Albuminuria in Primary Hypertension: A Meta-Analysis of Randomized Trials. Medicine (Baltimore). 2015 Sep;94(39):e1560. doi: 10.1097/MD.0000000000001560.
6.    Hayashi M, Uchida S, Kawamura T, Kuwahara M, Nangaku M, Iino Y; PROTECT-CKD Study Group. Prospective randomized study of the tolerability and efficacy of combination therapy for hypertensive chronic kidney disease: results of the PROTECT-CKD study. Clin Exp Nephrol. 2015 Oct;19(5):925-32. doi: 10.1007/s10157-015-1091-5. Epub 2015 Feb 14.
7.    Tsuji RL, Silva GV, Ortega KC, Berwanger O, Mion Júnior D. An economic evaluation of antihypertensive therapies based on clinical trials. Clinics (Sao Paulo). 2012;67(1):41-8.

8.    Dias da Costa JS, Fuchs SC, Olinto MT, Gigante DP, Menezes AM, Macedo S, Gehrke S. Cost-effectiveness of hypertension treatment: a population-based study. Sao Paulo Med J. 2002 Jul 4; 120(4):100-4.

11 de ago de 2016

REBRACIM

Para entrar em contato com o CIM-RS basta enviar um e-mail, telefonar ou enviar uma mensagem no whatsapp!
cimrs@farmacia.ufrgs.br
(51) 3308-5281
(51) 9286-5440


Mudança de horário de funcionamento

Amanhã, sexta-feira (12/08/16), excepcionalmente, o CIM-RS estará funcionando das 13:30 às 17:00.


3 de ago de 2016

Nova resolução sobre medicamentos isentos de prescrição

           




               Foi publicado nesta segunda-feira, 1° de agosto de 2016, no Diário Oficial da União a Portaria n° 98, que dispõe sobre os critérios e procedimentos para o enquadramento de medicamentos como isentos de prescrição e o reenquadramento como medicamentos sob prescrição, e dá outras providências. Esta resolução vem a revogar o antigo texto da Resolução de Diretoria Colegiada RDC n° 138, de 29 de maio de 2003. 

               Pode-se conferir o texto na íntegra aqui.

21 de jul de 2016

Asma e o Uso de Bombinhas




            Estima-se que 6,4 milhões de brasileiros com mais de 18 anos possuam asma, sendo responsável por mais de 100 milhões de internações no Sistema Único de Saúde 1.
            O que é a asma? É uma doença inflamatória crônica das vias áreas e hiper-responsividade da traqueia e dos brônquios a vários estímulos2,3. Também é chamada de bronquite e bronquite asmática, denominações geralmente usadas para crianças2. Os principais sintomas da doença são: falta de ar, tosse seca, aperto e chiado no peito1,2,3. A asma é caracterizada através de quatro manifestações, sendo elas: o processo inflamatório crônico, a sintomatologia, a limitação reversível do fluxo aéreo e a variedade de estímulos que desencadeiam a crise2.
            Existem vários fatores desencadeantes de uma crise de asma em pacientes suscetíveis, entre eles: pólen, fungos, fumaça de cigarro, gases, poluição, mudança de clima, infecções, agentes físicos, fatores emocionais, alimentos e até alguns fármacos como ácido acetilsalicílico, AINES (paracetamol, ibuprofeno), betabloqueadores (atenolol, propanolol, metoprolol) e inibidores da enzima conversora de angiotensina (captopril, enalapril, lisinopril)1.
            Os medicamentos mais utilizados para o manejo da asma, como salbutamol, fenoterol, beclometasona, budesonida, entre outros, são frequentemente utilizados pela via inalatória através da utilização de dispositivos de pós aerossóis. Estes dispositivos são pós embalados sobre pressão, contendo um gás propelente e ingredientes terapeuticamente ativos que são liberados após a ativação de um sistema apropriado de válvulas, também chamados de inaladores pressurizados ou bombinhas1,4.
            A via inalatória é utilizada para o manejo da asma, pois proporciona um efeito mais rápido e com menos efeitos adversos3. Existem três tipos de dispositivos inalatórios: inaladores pressurizados (A), inaladores de pó (B, C, D e E) e nebulizadores de jato ou nebulizadores ultrassônicos (F)3.


Figura 1. Tipos de dispositivos inalatórios.
 


Os dispositivos de pós aerossóis são compactos, possibilitam multidoses, possuem menor custo e estão disponíveis para a maioria dos medicamentos utilizados na asma. Porém, exige coordenação do paciente para o disparo e a inalação sem espaçador e não possuem contador de doses, dificultando o conhecimento sobre o número de doses que ainda restam. Além disso, a inalação de corticóides contribui para candidíase, pigarro e tosse nos usos sem espaçador3.
            Os espaçadores são de grande importância, pois além de facilitar o uso dos inaladores pressurizados, reduzem a disposição de corticóides na orofaringe, aumentam a disponibilidade pulmonar do fármaco2,3, permitem o uso de inaladores pressurizados contendo broncodilatadores nas exacerbações da asma e facilitam o seu uso3. Porém, possuem custo elevado, o tamanho pode dificultar o transporte e necessitam de manutenção e limpeza. Podem ser confeccionados espaçadores caseiros utilizando garrafas pet de 500 ml, que são tão eficientes quanto aqueles industrializados2,3. Para mais informações sobre o uso dos pós inaladores e sobre como fazer um espaçado caseiro, clique aqui (http://www.incor.usp.br/sites/incor2013/videos/asma-dpoc/index.html) 

Texto elaborado por Jacqueline WeisBonfanti e revisado por Tatiane Dal Pizzol

REFERÊNCIAS
1.     Portal Brasil. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/saude/2015/01/asma-atinge-6-4-milhoes-de-brasileiros. Acessado em: 16 de junho de 2016.
2.     DUNCAN, B.B.; SCHMIDT, M.I.; GIUGLIANI, E.R.J.; Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
3.     Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o Manejo da Asma - 2012. Disponível em: http://www.santacasasp.org.br/upSrv01/up_publicacoes/8011/10569_Diretriz%20Asma.pdf. Acessado em 16 de junho de 2016.
4.     BRASIL. Vocabulário Controlado de Formas Farmacêuticas, Vias de Administração e Embalagem de Medicamentos. Anvisa. 2011.